Caixa d’água de Olinda [título atribuído]. Fotografia de Leonardo Finotti
- Solução projetual
- Fachada pioneira de cobogós para ventilação e sombreamento
- Solução projetual
- Fachada pioneira de cobogós para ventilação e sombreamento
- Tipo de solução
- Conforto ambiental, controle solar, fachada
- Sistemas construtivos
- Concreto moldado in loco, cobogós
- Autoria atribuída
- Luiz Nunes, Fernando Saturnino de Brito
- Ano
- 1935
- Estado
- Construído, descaracterização baixa
Nome do projeto
Edifício Caixa d'água
Modelos 3D
Aspectos inovadores
- Aspectos principais
- O Edifício da Caixa d'Água, em Olinda, constitui-se como um marco arquitetônico no país por ser o primeiro a utilizar o cobogó, elemento pernambucano patenteado em 1929 e que aliava a tradição dos elementos vazados da arquitetura brasileira a um novo olhar, voltado à pré-fabricação e às possibilidades da construção em série. A adoção do cobogó se justifica pela necessidade projetual de se prover ventilação e sombreamento através das grandes superfícies das fachadas do edifício, frente às vantagens do emprego de elementos produzidos de forma seriada, dentro de um processo industrial. "Um edifício plenamente anunciador de um modo novo de arquitetura e engenharia: empenas estruturais, pilotis, acesso interno por escadaria, planta livre, terraceamento superior em concreto impermeabilizado, pronunciando o fechamento das fachadas através de um elemento vazado ainda não utilizado até aquele momento da arquitetura nacional - o COBOGÓ." (VIEIRA; BORBA; RODRIGUES, 2012)
- O Edifício da Caixa d'Água, em Olinda, constitui-se como um marco arquitetônico no país por ser o primeiro a utilizar o cobogó, elemento pernambucano patenteado em 1929 e que aliava a tradição dos elementos vazados da arquitetura brasileira a um novo olhar, voltado à pré-fabricação e às possibilidades da construção em série. A adoção do cobogó se justifica pela necessidade projetual de se prover ventilação e sombreamento através das grandes superfícies das fachadas do edifício, frente às vantagens do emprego de elementos produzidos de forma seriada, dentro de um processo industrial. "Um edifício plenamente anunciador de um modo novo de arquitetura e engenharia: empenas estruturais, pilotis, acesso interno por escadaria, planta livre, terraceamento superior em concreto impermeabilizado, pronunciando o fechamento das fachadas através de um elemento vazado ainda não utilizado até aquele momento da arquitetura nacional - o COBOGÓ." (VIEIRA; BORBA; RODRIGUES, 2012)
- Relevância / contribuição
- As soluções de conforto ambiental, cada vez mais necessárias como resposta às mudanças climáticas, podem se desdobrar em diferentes estratégias. O cobogó empregado no projeto deste edifício carrega, de forma inerente, ao menos duas funções: uma técnica - através do controle da incidência solar, reduzindo a carga térmica direta no interior do edifício enquanto permite a ventilação natural cruzada - e outra formal - da costrução da identidade plástica de toda a fachada do objeto arquitetônico. Apesar de ser um elemento amplamente utilizado na arquitetura brasileira, aqui o intuito de sua seleção foi o de evidenciar o projeto que inaugurou o seu emprego, visando impulsionar sua utilização dentro de um amplo rol de funções atreladas à privacidade, à divisão dos espaços, à ventilação natural, ao controle solar, entre outros, especialmente a partir do emprego de novas materialidades.
- As soluções de conforto ambiental, cada vez mais necessárias como resposta às mudanças climáticas, podem se desdobrar em diferentes estratégias. O cobogó empregado no projeto deste edifício carrega, de forma inerente, ao menos duas funções: uma técnica - através do controle da incidência solar, reduzindo a carga térmica direta no interior do edifício enquanto permite a ventilação natural cruzada - e outra formal - da costrução da identidade plástica de toda a fachada do objeto arquitetônico. Apesar de ser um elemento amplamente utilizado na arquitetura brasileira, aqui o intuito de sua seleção foi o de evidenciar o projeto que inaugurou o seu emprego, visando impulsionar sua utilização dentro de um amplo rol de funções atreladas à privacidade, à divisão dos espaços, à ventilação natural, ao controle solar, entre outros, especialmente a partir do emprego de novas materialidades.
- Aspectos técnicos contemporâneos
-
O cobogó configura-se como um elemento modular autenticamente brasileiro, cuja adoção se configura como uma solução evolutiva dos muxarabis¹, incorporando princípios de sombreamento, ventilação e controle da luminosidade. Sua fabricação, atualmente viável em processos industrializados2, permite a exploração de diferentes materialidades, como cerâmica, concreto, vidro, metal e materiais reciclados ou provenientes de descarte, a exemplos de resíduos de construção, têxteis e conchas, além de formatos obtidos por modelagem computacional em impressão 3D.
A geometria do cobogó influencia diretamente seu desempenho térmico³, especialmente a partir da variação dos percentuais de abertura, ângulos e dimensões dos elementos, impactando simultaneamente ventilação, incidência solar e iluminação natural. Estudos também apontam influência no controle da infiltração de água da chuva⁴. Dessa forma, o sistema mantém relevância contemporânea ao contribuir para a redução da dependência de sistemas mecânicos de iluminação e climatização, alinhando-se às discussões atuais sobre eficiência energética, conforto ambiental e sustentabilidade. -
O cobogó configura-se como um elemento modular autenticamente brasileiro, cuja adoção se configura como uma solução evolutiva dos muxarabis¹, incorporando princípios de sombreamento, ventilação e controle da luminosidade. Sua fabricação, atualmente viável em processos industrializados2, permite a exploração de diferentes materialidades, como cerâmica, concreto, vidro, metal e materiais reciclados ou provenientes de descarte, a exemplos de resíduos de construção, têxteis e conchas, além de formatos obtidos por modelagem computacional em impressão 3D.
A geometria do cobogó influencia diretamente seu desempenho térmico³, especialmente a partir da variação dos percentuais de abertura, ângulos e dimensões dos elementos, impactando simultaneamente ventilação, incidência solar e iluminação natural. Estudos também apontam influência no controle da infiltração de água da chuva⁴. Dessa forma, o sistema mantém relevância contemporânea ao contribuir para a redução da dependência de sistemas mecânicos de iluminação e climatização, alinhando-se às discussões atuais sobre eficiência energética, conforto ambiental e sustentabilidade.
Galeria de imagens
Ficha técnica
A geometria do cobogó influencia diretamente seu desempenho térmico³, especialmente a partir da variação dos percentuais de abertura, ângulos e dimensões dos elementos, impactando simultaneamente ventilação, incidência solar e iluminação natural. Estudos também apontam influência no controle da infiltração de água da chuva⁴. Dessa forma, o sistema mantém relevância contemporânea ao contribuir para a redução da dependência de sistemas mecânicos de iluminação e climatização, alinhando-se às discussões atuais sobre eficiência energética, conforto ambiental e sustentabilidade.
A geometria do cobogó influencia diretamente seu desempenho térmico³,…
O cobogó reverbera em diversos projetos posteriores, inclusive em obras de Lucio Costa e Oscar Niemeyer, amplamente reconhecidos pela historiografia brasileira. Segawa (1998) complementa o uso do elemento na atuação de Nunes e do DAU (Departamento de Arquitetura e Urbanismo), destacando sua aplicação intensiva : " Foi nessa fase que o DAU adotou intensivamente o emprego do cobogó, peças pré-fabricadas de cimento e areia com 50x50x10 cm, com orifícios de 5x5 cm que, associadas, compunham extensas superfícies servindo como brise-soleils e como superfícies vazadas para ventilação, ao mesmo tempo que definiam fachadas neutras, sem propriamente serem cegas. As obras desse período preservaram todas as preocupações de economia e funcionalidade e incorporavam um padrão estético mais elaborado, sendo o exemplo mais evidente a ascendência de Le Corbusier no pavilhão de verificação de óbitos. Decerto essa influência se deve à presença de Fernando Saturnino de Brito - jovem arquiteto formado no Rio de Janeiro -, incorporado à equipe do DAU." Observa-se que, durante a pesquisa, foram identificadas duas grafias para o nome do arquiteto – “Luis” e “Luiz” –, variando conforme a fonte consultada.
Fotografias contemporâneas: Leonardo Finotti (externa) e Egon Vettorazzi (interna)
Fotografias contemporâneas: Leonardo Finotti (externa) e Egon Vettorazzi (interna)
Fontes e referências
- Arquigrafia: ambiente colaborativo web de imagens de Arquitetura
- GOODWIN, Philip. Brazil Builds – Architecture New and Old 1652 – 1942. New York: Museum of Modern Art, MoMa, 1943. Disponível em: https://www.moma.org/documents/moma_catalogue_2304_300061982.pdf Acesso em set. 2025.
- OLIVEIRA , Adriana Freire de; BAUER , Caroline. Cobogós, textile-block ou módulo? Experimentações de novas estéticas. Seminário Docomomo Brasil: Anais, v. 9, p. 1–14, 2025. Disponível em: https://publicacoes.docomomobrasil.com/anais/article/view/1131. Acesso em: 10 dez. 2025.
- VAZ, Rita de Cassia. Luiz nunes: arquitetura moderna em pernambuco, 1934-1937. 1989. Dissertação (Mestrado em HISTORIA DA ARQUITETURA) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1989. doi:10.11606/D.16.1989.tde-20250325-103550. Acesso em: 2025-12-10.
- VETTORAZZI, Egon; SACHT, Helenice Maria; PUNHAGUI, Katia R. G.; TEIXEIRA, Patricia S.. Contribuições da arquitetura árabe para os elementos de controle solar da arquitetura brasileira. Arquitextos, São Paulo, ano 23, n. 271.00, Vitruvius, dez. 2022 https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/23.271/8681 Acesso em set. 2025.
- VIEIRA, Antenor; BORBA, Cristiano; RODRIGUES, Josivan. Cobogó de Pernambuco. Recife, 2012. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/272946299/Pesquisa-Cobogo-de-Pernambuco Acesso em out. 2025. ;
- SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil, 1900-1990. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1998.
- Arquigrafia: ambiente colaborativo web de imagens de Arquitetura
- GOODWIN, Philip. Brazil Builds – Architecture New and Old 1652 – 1942. New York: Museum of Modern Art, MoMa, 1943. Disponível em: https://www.moma.org/documents/moma_catalogue_2304_300061982.pdf Acesso em set. 2025.
- OLIVEIRA , Adriana Freire de; BAUER , Caroline. Cobogós, textile-block ou módulo? Experimentações de novas estéticas. Seminário Docomomo Brasil: Anais, v. 9, p. 1–14, 2025. Disponível em: https://publicacoes.docomomobrasil.com/anais/article/view/1131. Acesso em: 10 dez. 2025.
- VAZ, Rita de Cassia. Luiz nunes: arquitetura moderna em pernambuco, 1934-1937. 1989. Dissertação (Mestrado em HISTORIA DA ARQUITETURA) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1989. doi:10.11606/D.16.1989.tde-20250325-103550. Acesso em: 2025-12-10.